Mercado de trigo pode ter ponto de virada
A Argentina colocou à disposição mais 1 milhão de toneladas
A Argentina colocou à disposição mais 1 milhão de toneladas - Foto: Canva
O mercado brasileiro de trigo mantém ritmo de abastecimento confortável, enquanto produtores enfrentam pressão para liberar estoques ainda armazenados. Segundo análise da TF Agroeconômica, o cenário externo adiciona novos elementos que podem influenciar a formação de preços no curto e médio prazo.
A Argentina colocou à disposição mais 1 milhão de toneladas para exportação da safra atual, elevando o volume exportável para 18,5 milhões de toneladas, recorde para o país vizinho. O aumento da oferta pode pressionar ainda mais as cotações do trigo argentino. No mercado interno, a disponibilidade cresceu, mas a qualidade do grão segue como ponto de atenção nas negociações físicas.
Nos Estados Unidos, as cotações avançam antes da primavera, período que trará maior clareza sobre qualidade e umidade das lavouras da nova safra. O USDA projetou redução na área plantada para 2026/27 e estimou produtividade média de 3.416 quilos por hectare, queda de 4,69% frente ao ciclo atual. A produção foi prevista em 50,62 milhões de toneladas, abaixo das 54,01 milhões estimadas para 2025/26. Mesmo com estoques finais projetados em 25,39 milhões de toneladas, o mercado relativizou o número diante do desempenho das vendas externas.
O déficit hídrico nas áreas de trigo de inverno nos EUA também preocupa, com 46% das lavouras sob algum grau de seca. No Mar Negro, a ausência de avanços nas negociações de paz mantém incertezas.
Entre os fatores de baixa, pesam vendas semanais mais fracas nos EUA, apesar do acumulado superior ao do ano passado, e previsões de recuperação da safra russa. A consultoria SovEcon elevou sua estimativa para 85,90 milhões de toneladas, enquanto o Ministério da Agricultura da Argentina revisou para cima a produção e as exportações, reforçando o quadro de ampla oferta global.